Diante do cenário de fenômenos ambientais extremos, o Conselho Nacional do Ministério Público, por meio da Comissão do Meio Ambiente (CMA), presidida pela conselheira Ivana Cei, e o Ministério público de Rondônia (MPRO) realizam nesta quinta-feira e sexta-feira, 27 e 28 de junho, em Porto Velho, o Seminário Conjunto sobre Mudanças Climáticas – Uma abordagem Interdisciplinar.Em aula magna, o doutrinador e defensor público do Estado de São Paulo, Tiago Fensterseifer, falou sobre o “Direito Constitucional Climático: Dos Deveres de Proteção Climática do Estado ao Direito Fundamental ao Clima Limpo, Saudável e Seguro”, fazendo um retrospecto do protagonismo ambiental na Constituição Federal de 1988, cuja redação consolidou o sistema protetivo ao meio ambiente.
Fensterseifer discorreu sobre recentes decisões do STF (Fundo Clima e Fundo Amazônia), das quais se extraiu, a partir do artigo 225 da Constituição Federal, a existência de deveres de proteção climática, que limitam a discricionariedade dos Poderes em relação às políticas públicas nesse tema. De acordo com o palestrante, tal entendimento deu ao sistema climático o status de bem jurídico autônomo de estatura constitucional.
Discursos
Reiterando o senso de urgência para a adoção de soluções, a membra auxiliar do CNMP Tarcila Gomes citou prognóstico de redução em 40% do volume de água dos rios da Amazônia. “Para além do seu papel de controle, o Ministério Público tem um papel de fomento à prevenção de danos ambientais. Esse é o motivo de estarmos aqui hoje”, disse.
Ainda mencionando a projeção da redução de regime de chuvas para a região, o coordenador do evento, o Diretor do GAEMA, promotor de Justiça Pablo Hernandez Viscardi, destacou que o relacionamento da sociedade com a natureza está prestes a levar o mundo a um ponto de não retorno, motivo pelo qual tem sido premente a articulação das instituições para fazer sanar a emergência climática. “Nossa intenção neste evento é discutir estratégias para responsabilizar e mobilizar gestores para a elaboração de políticas públicas, planos mitigatórios e de contingência para o enfrentamento dessa situação”.
Também fizeram uso da palavra o presidente da Abrampa, Alexandre Gaio, o desembargador Miguel Mônico, além dos demais componentes da mesa de honra.

